E o Saci, onde foi parar?
Hoje as ruas se enchem de risadas,
de fantasias coloridas,
de doces e travessuras.
O Halloween chegou,
essa festa alegre, divertida,
que atravessou oceanos e encontrou morada por aqui.
Mas, enquanto as bruxinhas dançam e os monstros desfilam,
eu me pergunto baixinho:
onde está o Saci, travesso e ligeiro,
rodopiando com seu gorro vermelho pelas noites brasileiras?
Onde se escondeu a Mula sem Cabeça,
com seu fogo que iluminava o medo e a imaginação?
E o Curupira, guardião das matas,
será que ainda assobia entre as árvores pedindo socorro?
A gente celebra o que vem de fora,
mas esquece, às vezes, de olhar pra dentro.
Esquecemos que o Brasil tem alma,
tem cheiro de terra, tem lendas,
tem vozes antigas que sussurram nas florestas,
nas vilas, nas noites de luar.
Não há problema em festejar o Halloween ,
toda festa que espalha alegria merece espaço.
Mas é preciso lembrar:
quem esquece de onde veio,
acaba sem saber pra onde vai.
Que nossas crianças possam crescer
sabendo que o medo também é poesia,
que o mistério mora nas nossas matas,
que o fantástico fala português,
e que as nossas histórias merecem continuar vivas.
Porque o Brasil é um país encantado ,
feito de cores, de crenças, de cultura.
E o maior susto que podemos levar
é o de acordar um dia
sem reconhecer nossas próprias lendas.